terça-feira, junho 16, 2009

Grupo Caos e Acaso faz apresentação no FILO


Foto: Mariana Matias


O Grupo Caos e Acaso de Teatro - grupo de multiplicadores da FTO Londrina - faz apresentação do espetáculo "Café Quente em Noite Fria", nesta sexta -feira, dia 19, no Filo. A apresentação acontecerá na Sala de Espetáculos do SESC Londrina ( na Rua Fernando de Noronha).


Ambientado no período da grande Geada Negra, que se abateu sobre o Norte do Paraná em 1975, o espetáculo aborda a migração para as terras da Amazônia em 1976, a partir de histórias do pequeno proprietário de terras Zé Alcindo, que vê sua plantação devastada, e da jovem camponesa Betina. Com a geada, ele tenta partir para terras mais distantes em busca de subsistência, enquanto ela tem que deixar o sítio dos pais e procurar ocupação na cidade. O espetáculo procura analisar os motivos (e a geada foi apenas mais um dentre tantos), que levaram os lavradores do Sul a se tornarem os colonos do Norte. O Espetáculo utiliza pré-supostos do teatro Épico de B. Brecht e As técnicas de Augusto Boal em um jogo teatral claro, entre atores e espectadores.

O espetáculo é construído a partir das Técnicas de Teatro Jornal (formuladas por Augusto Boal), que consiste basicamente na analise e teatralização de noticias de jornal ou de qualquer outro material não dramático. Para concepção deste espetáculo, foram utilizadas noticias de jornais da época (1975), principalmente o já extinto Jornal Panorama, capítulos uma tese de doutorado “A Lenda do Ouro Verde” da historiadora e socióloga Maria Beatriz Guimarães Neto, e principalmente relatos de pequenos agricultares que vivenciaram este período histórico

O Grupo escolheu uma temática nada neutra politicamente, da recente História do PR e, em particular, do Norte do Estado: As informações históricas vêm a “conta-gotas”, pois o interesse não é narrar ao espectador uma história “tal qual foi” (se é que isto é possível para a historiografia acadêmica!), mas fazer uma leitura “Épica” de momentos/ acontecimentos significativos da pesquisa feita sobre o determinado acontecimento, principalmente do ponto de vista dos pequenos trabalhadores do campo, pequenos proprietários e de comerciantes, que do dia para noite perderam tudo, sendo “obrigados a se exilarem” em guetos nas periferias das cidades, dando inicio aos grandes conjuntos habitacionais. Escolhemos ponto de vista daqueles que até hoje sofrem as conseqüências sociais e econômicas da geada negra, em detrimento a visão oficial da História de que a Geada 1975 foi o “grande impulso” que faltava pela mecanização da agricultura no Paraná e também um dos motivos do rápido crescimento de Londrina, que se transformaria nas décadas seguintes num dos mais importantes municípios do Sul do Brasil.



Espetáculo: Café Quente em Noite Fria
Dramaturgia e direção: Roberto Sales ( em processo colaborativo com o Grupo)
Gênero: Teatro Épico

Elenco:

1. Glauco Garcia..............Zé Alcino/ Menelau /Smit /Narrador 1

2. Paulo César Pires.........Zé Bispo/ Marinheiro/ Otávio /motorista/ Jhon Venâncio

3. Roberto Sales............Narrador 2 / Furleto / um agricultor

4. Ana Carolina Silva......Betina - Katarina / O propagandista / outro Agricultor

5. Nádia Burk..............Elza / Marieta / Narradora 3 / agricultora 2

Canções: Roberto Sales (letras) e Glauco Garcia (música)
Músicos/ sonoplasta: Marcelo Duarte Bezerra e Tiago Patrocínio de Oliveira
Desenho de iluminação: Glauco Garcia
Operador de Luz: Raul

Operadora de Audio Visual: Débora Oliveira

Concepção de Espaço Cênico e Figurinos: O Grupo
Maquiagem: O Grupo

sexta-feira, junho 12, 2009

Projeto Teatro do Oprimido nas Escolas inicia suas atividades


O Projeto "Teatro e Transformação Social - Teatro do Oprimido nas Escolas", iniciou suas atividades, com um evento preparatório na "Semana de Humanidades" no CEEP Estadual Maria do Rósario Castaldi, no jardim Bandeirantes. O Evento foi uma realização do Projeto "Semanas de Sociologia para alunos e professores do Ensino Médio das Escolas Públicas da Rede Estadual de Londrina"; ligado ao Dep. de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina.
O Projeto "Teatro e Tranformação Social - Teatro do Oprimido nas Escolas" é vinculado ao subprograma "Diálogos Culturais" que compõe o Programa Universidade Sem Fronteiras, elaborado e desenvolvido pela Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná, (SETI) que é hoje, em investimento financeiro e capital humano a maior ação de extensão universitária em curso no Brasil. Desde outubro de 2007, equipes multidisciplinares compostas por educadores, profissionais recém-formados e estudantes das universidades e faculdades públicas do Estado do Paraná, trabalham em centenas de projetos, presentes hoje, em mais de 200 municípios.




"Valor de Troca" - Experimento cênico do Grupo Oficina de Teatro do Oprimido (teatro-jornal)

Na Semana de Humanidades, os estagiários e a equipe pedágogica do Projeto Teatro do Oprimido nas Escolas, realizaram 6 palestras, sobre arte, comunicação e sociedade, além de 1 oficina de Teatro-Jornal para alunos e professores e 1 apresentação do espetáculo "Valor de Troca", do Oficina de Teatro do Oprimido.

Segundo Gildemar Roberto Sales, um dos coordenadores do Projeto TO nas escolas , a parceria da FTO, com o projeto Semanas de Sociologia já vem de "longa data", marcada por uma militancia de ambos os grupos do que diz respeito a implantação das disciplinas de sociologia e filosofia no ensino médio.

"Contudo, a partir deste ano, a participação da FTO tem um carater diferente, marcada exatamente pelas atividades do Programa Universidade Sem Fronteiras, que possibilitará uma possibilidade de oferecer programas de capacitação para professores e alunos; o que ampliará as possibilidades de expressão e de intervenção na realidade de todos estes atores sociais" Comenta Sales.


Alunos assistindo a apresentação

O Projeto Semanas de Sociologia atua no sentido de consolidar de vez, um espaço, onde os professores e as escolas possam ter um apoio sistemático. Esse apoio pode ser efetivado de diversas formas, desde a produção de materiais didáticos até a capacitação de professores, mediante a viabilização de uma formação continuada. As Semans de Sociologia (que acontecerão ao longo de 2009 em várias escolas da rede Estadual de Ensino) continua intensificando suas ações no sentido de viabilizar cursos de formação, eventos, debates, grupos de estudo e produção de material didático. Vale lembrar, que nos últimos anos, em Londrina, a Sociologia é presença confirmada nos currículos de todas as escolas da rede pública estadual, em pelo menos um dos três anos do Ensino Médio.




Minutos antes da apresentação

Nádia Burk, coordenadora do Projeto TO nas escolas comenta que a participação no Castaldi, teve um caráter exploratório, no sentido de divulgar os objetivos do Projeto entre professores e alunos e consolidar espaços para realização de atividades permanentes ao longo do segundo semestre de 2009.
Palestras:
"Estudar pra que? Por que? Teatro na Educação
Débora Oliveira
"Teatro e Transformação Social"
Tiago Patrocínio
"Ideologia e Alienação"
Marcelo Bezerra de Menezes
"Quando nós fazemos a noticia - A experiência do Grupo Oficina de TO"
Ana Carolina Silva
Paulo César Pires
"Mídia e Comunicação de Massa"
Ana Soranso
"Protagonismo Juvenil"
Josemar Lucas
Oficina de Teatro Jornal
Glauco Garcia
Gildemar Roberto Sales

quinta-feira, junho 04, 2009

Notas sobre Valor de Troca e Ombro Armas...Construindo um circuito de teatro popular


Grupo Oficina de Teatro do Oprimido - "Valor de Troca"


Escrevo este pequeno texto para refletir sobre a apresentação dos experimentos cênicos "Ombro Armas" do Grupo Encenação de Teatro e "Valor de Troca" (esquete de teatro-Jornal) do Grupo Oficina de Teatro do Oprimido (OTO), que foram apresentados conjuntamente no último final de semana (30 e 31 de maio) do Teatro Zaqueu de Melo na cidade de Londrina.

aquecimento coletivo - antes da apresentação

Os dois Grupos são vinculados a Fábrica de Teatro do Oprimido e foram formados através de processos de multiplicação realizados por Milintates Curingas da FTO, nos anos de 2007 (OTO) e 2008 (Encenação). Ambos são constituidos, por estudantes - do ensino fundamental, médio e Universitário - e se encontram em oficinas semanais que variam de 2 a 4 horas.



Grupo Encenação de Teatro - "Ombro Armas"


Estes experimentos marcam uma nova pesquisa teatral, estética e social que os Grupos Ligados a FTO vem desenvolvendo desde 2008: Um diálogo entre as perpectivas de Bertold Brecht e seu teatro Épico e Augusto Boal, principalmente com suas técnicas de Teatro-Fórum e Teatro-Jornal. Nesta pesquisa são abordados temas formação crítica de um circuito popular, controle coletivo sobre a totalidade social do processo de trabalho criativo – desde a socialização da produção, até a ampliação do público – e, além de muito, muito mais: a não-alienação entre ator e espectador.


São estas bases que fundamentam a realização de experimentos cênicos, como os realizados no último fim de semana. Os espetáculos apresentados, não são produtos acabados, mas sim, o inicio de um processo de reflexão estética sobre a realidade social. Estão ainda em fase exploratória.





Em um contexto em que, as obras artísticas relacionadas às práticas políticas passaram a ser categorizadas como “peças de museu”, “caídas em desuso”, “envelhecidas”, paralelamente à queda dos grandes referenciais de esquerda, - como se estas práticas respondessem, exclusivamente a esses blocos - atirgir um público de aproximadamente 180 pessoas, sem uma divulgação da mídia oficial (onde praticamente a metade, era constituido de estudantes dos cursinho popular união, que adiquiriu o ingresso a um valor de R$ 2,00); foi sem dúvida uma grande vitória. O que nos demonstra que tentivas de construção de um circuito alternativo de Teatro Popular, que dialoguem de fato com a população, podem funcionar.



Outro aspecto a se resaltar é que estes experimentos cênicos proporcinou um contato dos estudiosos – acadêmicos, pesquisadores, críticos, entre outros – com o que ocorre no campo, na prática/praxis, com esse universo de produções, o que pode abrir espaços para futuros diálogos/debates que relacionem arte, politica e sociedade, reabrindo um espaço que há muito vem sendo sistematicamente fechado ppara discussões e encontros.



Grupo Encenação de Teatro - "Ombro Armas"



Inclusive, junto aos próprios artistas fechou-se o debate, deixando que mediadores dialoguem e que estabeleçam as tendências; restringindo a possibilidade de diálogo e de discussão.


Historicamente, a construção coletiva foi a alternativa mais eficaz que tiveram os artistas vinculados às práticas políticas para superar o "artista silenciado". Toda a produção desta mini-temporada no teatro Zaqueu de Melo, foi uma construção coletiva. Não só dos grupos apresentaram seus experimentos, mas de toda a FTO ( da venda de ingressos, passando perla construção da cenografia e figurinos, à participáção de técnicos de iluminação e som). A construção coletiva “é um gesto, e como gestualidade pode gerar espaços solidários, abrir territórios desconhecidos, projetá-los em direção a um tempo futuro”.




"Preparando a cena"


Acreditamos (aqui em tom de manifesto) que nossa pratica artística - neste caso materializada na produção desta mini-temporada e na propria apresentação dos experimentos cênicos - é de fato comprometida. E não se trata de um teatro comprometido porque aborda uma problemática relevante para nossos tempos, e sim, do teatro que busca uma ação política, uma ação política concreta. Afirmamos o tema mais complexo: o ativismo através do teatro, ou seja de uma ferramenta de intervenção política que seja uma ferramenta de transformação para a emancipação, a liberação dos setores marginalizados, oprimidos, populares, subalternos, dominados, segundo as múltiplas denominações, do que antes foi a classe operária, ou camponesa, em outras latitudes.



Esta ação, que se realizou em Londrina foi concretizada por artistas que acompanham e militam em processos de transformação social e reconhecem assim o campo da cultura, em geral, e das artes cênicas, em particular, o terreno propício de disputa hegemônica da classe dominante.


"Quebrando" ou não a quarta parede, os Grupos Populares da FTO, comunicam-se horizontalmente com o público, confabulando a ação inerente à realidade por meio da reflexão proposta em cena. A idéia é conseguir estender ao meio social o tema discutido, partindo da inquietação do espectador, no sentido de provocar o sair da acomodação, interferindo na sua forma de pensar-agir para que este juntamente com o ator seja o interagente da sociedade, buscando um novo ser social capaz de protagonizar a sua história.


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